Qual é o lugar do fator religioso no mundo?

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Leonardo Boff

 

         Por mais que a sociedade se mundanize e, de certa forma, se mostre materialista, não podemos negar que vigora uma volta vigorosa do fator religioso, místico e esotérico nos tempos atuais. Temos a impressão de que existe um cansaço pelo excesso de racionalização e de funcionalização de nossas sociedades complexas. A volta do religioso apenas revela que no ser humano há uma busca por algo maior. Há um lado invisível no visível que gostaríamos de surpreender. Quem sabe não se encontre lá um sentido secreto que sacia nossa busca incansável por algo que não sabemos identificar.  Nesse horizonte não confessional quiça faça sentido se falar do fator religioso ou do espiritual. Ele sofreu todo tipo de ataques mas conseguiu sobreviver. A primeira modernidade o via como algo pré-moderno, um saber fantástico que deve dar lugar ao saber positivo e crítico (Comte). Em seguida foi lido como uma…

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O Tempo da Grande Transformação e da Corrupção Geral

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Leonardo Boff

Normalmente as sociedade se assentam sobre o seguinte tripé: na economia que garante a base material da vida  humana para que seja boa e decente; na política pela qual se distribui o poder e se montam as instituições que fazem funcionar a convivência social; a ética que estabelece os valores e normas que regem os comportamentos humanos para que haja justiça e paz e que se resolvam os conflitos sem recurso à violência. Geralmente a ética vem acompanhada por uma aura espiritual que responde pelo sentido último da vida e do universo, exigências sempre presentes na agenda humana.
Estas instâncias se entrelaçam numa sociedade funcional, mas sempre nesta ordem: a economia obedece a política e a política se submete àética.

Mas a partir da revolução industrial no século XIX, precisamente, a partir de 1834, a economia começou na Inglaterra a se descolar da política e a soterrar a ética. Surgiu…

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Drones, the most cowardly violation of human rights

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Leonardo Boff

We are living in a world where human rights are violated at practically every level, familial, local, national and planetary. The 2013 Annual Report of Amnesty International, that covers 159 countries, makes just this painful observation, with respect to 2012. Instead of advancing respect for human dignity and the rights of individuals, peoples and ecosystems, we are returning to barbaric levels. The violations are endless, and the means of this aggression are increasingly sophisticated.

The most cowardly form are the «drones», planes without pilots, directed by a young soldier in front of a TV monitor, as if he were playing a game, who from a base in Texas manages to identify a group of Afghans celebrating a wedding, where presumably there may be a guerrillero from Al Quaeda. That presupposition is enough, with a small click, to launch a bomb that annihilates the whole group, including many innocent mothers and…

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Poética, de manuel Bandeira

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“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreços ao Sr. diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico

De todo lirismo que capitula o que quer que seja
fora de si mesmo
e resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismos dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”