Uma democracia que se volta contra o povo

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Leonardo Boff

Uma grita geral da mídia corporativa, de parlamentares da oposição e de analistas sociais ligados ao status quo de viés conservador se levantou furiosamente contra o decreto presidencial que institui a Política Nacional de Participação Social. O decreto não inova em nada nem introduz novos itens de participação social. Apenas procura ordenar os movimentos sociais existentes, alguns vindos dos anos 30 do século pássado, mas que nos últimos anos se multiplicaram exponencialmente a ponto de Noam Chomsky e Vandana Shiva considerarem o Brasil o país no mundo com mais movimentos organizados e de todo tipo. O Decreto reconhece esta realidade e a estimula para que enriqueça o tipo de democracia representativa vigente com um elemento novo que é a democracia participativa. Esta não tem poder de decisão apenas de consulta, de informação, de troca e de sugestão para os problemas locais e nacionais.

Portanto, aqueles analistas que afirmam, ao arrepio…

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Carta aberta à Capes – Em defesa da liberdade acadêmica e das ciências humanas e sociais

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blog da Revista Espaço Acadêmico

do_generic_poPor que isto é importante*

Frente ao ocorrido no Edital Procad 071/2013, da CAPES – a subscrição pela CAPES de um parecer de mérito sem substância, preconceituoso e ideológico, amplamente denunciado pelos pesquisadores da UnB, UERJ e UFRN da área de Serviço Social atingidos –, e ao baixíssimo número de projetos das Ciências Humanas e Sociais aprovados, os abaixo-assinados, grupos de pesquisa, pesquisadores individuais, instituições universitárias, associações científicas e da sociedade civil, extremamente preocupados com os rumos da pesquisa social no Brasil, vimos por meio deste manifestar nossa posição. Ao final, apresentamos algumas reivindicações:

1- É inaceitável que uma agência pública do Estado democrático e republicano brasileiro subscreva pareceres ideológicos, tendenciosos, superficiais e inconsistentes, que se fundamentem no questionamento da opção teórica metodológica adotada em projetos de pesquisa, sem nenhum fundamento plausível, o que expressa uma visível prática ideológica;

2- O patrulhamento ideológico não é somente contra o marxismo…

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Nossos pressupostos equivocados nos podem liquidar

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Leonardo Boff

Inegavelmente vivemos uma crise dos fundamentos que sustentam nossa forma de habitar e organizar o planeta Terra e de tratar os bens e serviços da natureza. Na perspectiva atual eles são totalmente equivocados, perigosos e ameaçadores do sistema-vida e do sistema-Terra. Temos que ir além.
Dois pais fundadores de nosso modo de ver o mundo, René Descartes(1596-1650) e Francis Bacon(1561-1626) são seus principais formuladores. Viam a matéria como algo totalmente passivo e inerte. A mente existia exclusivamente nos seres humanos. Estes podiam sentir e pensar enquanto os demais animais e seres agiam como máquinas, destituídas de qualquer subjetividade e propósito.

Logicamente, essa compreensão criou a ocasião para que se tratasse a Terra, a natureza e os seres vivos como coisas que podíamos dispor à bel-prazer. Na base do processo industrialista selvagem está esta compreensão que persiste ainda nos dias de hoje, mesmo dentro das universidades, ditas progressistas, mas reféns no…

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O pavor dos abastados: a desigualdade e a taxação das riquezas

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Leonardo Boff

           Está causando furor entre os leitores de assuntos econômicos, economistas e principalmente pânico entre os muito ricos um livro de 700 páginas escrito em 2013 e publicado em muitos países em 2014. Tranasformou-se num verdadeiro best-seller. Trata-se de uma obra de investigação, cobrindo 250 anos, de um dos mais jovens (43 anos) e brilhantes economistas franceses, Thomas Piketty. O livro se intitula O capital no século XXI (Seuil, Paris 2013). Aborda fundamentalmente a relação de desigualdade social produzida por heranças, rendas e principalmente pelo processo de acumulação capitalista, tendo como material de análise particularmente a Europa e os USA.

         A tese de base que sustenta é: a desigualdade não é acidental mas o traço característico do capitalismo. Se a desigualdade persisitir e aumentar, a ordem democrática estará fortemente ameaçada. Desde 1960, o comparecimento dos eleitores nos USA diminuiu de 64% (1960) para pouco mais de 50% (1996)…

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Princípios de Plantas Medicinais e Tóxicas

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Desde o seu surgimento na Terra, os vegetais têm desempenhado importante papel na manutenção do equilíbrio entre os diversos ecossistemas do planeta.  Com o surgimento e desenvolvimento da espécie humana, eles passaram a ser usados  para as mais variadas finalidades, inclusive para fins medicinais. A utilização de plantas no tratamento e prevenção de doenças é uma das práticas medicinais mais antigas; e, até a década de 1990, mais de 65% da população dos países em desenvolvimento dependiam  desse tipo de tratamento como forma de cuidado básico da saúde (Junior & Pinto, 2005; Raven, Evert & Eichhorn, 2007; Ricklefs, 2008).

Cabral & Arruda (2011), citando dados da Organização Mundial de Saúde – OMS (2002), esclarecem que as plantas medicinais são: “espécies vegetais que possuem em um de seus órgãos, ou em toda a planta, substâncias que se administradas ao ser humano ou a animais, por qualquer via e sob qualquer forma, exercem algum tipo de ação farmacológica”. Ressalta-se, contudo, que a ação farmacológica nem sempre é algo benéfico; algumas espécies vegetais são potencialmente tóxicas, sendo capazes de causar dano ou morte quando em contato ou ingeridas por animais. A toxidez, entretanto, é um conceito relativo, porque depende da dosagem da substância e também do animal a entrar em contato com ela (Vasconcelos et al., 2009; OMS, 2002, apud Cabral & Maciel, 2011; Carvalho & Arruda, 2011).

Dentre os vários grupos de plantas com propriedades medicinal e tóxica encontram-se as plantas ceríferas; estas são vegetais que possuem como característica células epidérmicas (das folhas, caules e frutos) revestidas por  uma camada de cera. A cera é um lipídeo simples presente na parede celular das ceríferas, combinada a cutina ou suberina; tem como principal função, na planta, evitar a perda excessiva de água; também protege o vegetal contra ataque de fungos. Acredita-se que  a cera seja uma adaptação destes vegetais a regiões áridas (Rodrigues, 2004; Raven, 2007; Salamoni, 2010; Motta, 2013).

Dentre as ceríferas com propriedades medicinais, a Copernicia cerifera Mart. – popularmente conhecida como Carnaúba – (Copernicia prunifera Miller ou, ainda, Coripha cerifera Arruda) é  um bom exemplo. Estudo realizado por Rodrigues (2004) aponta que C. cerifera possui diversas substâncias utilizadas na composição de fármacos para vários tratamentos. Segundo o autor, foram encontradas na planta substâncias como: 1) ácido nonanedióico ou ácido azeláico, substância com efeito antibacteriano, utilizado atualmente na formulação de fármacos para tratamento de acne; 2) extrato etanólico, substância  com propriedades antioxidante, analgésica, antimicrobiana; 3)  extrato hexânico, que também possui efeito antimicrobiano (Rodrigues, 2004).

No entanto, pesquisa realizada por Andrade e colaboradores (2008) evidencia  a toxidez das folhas de C. prunifera, quando administradas como alimento a caprinos e bovinos  por longos períodos (em torno de  56 dias, no estudo em questão); verificou-se que as propriedades tóxicas da planta são capazes de causar intoxicação e morte nestes animais (Andrade et al., 2008).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, G. A. P. et al. Intoxicação Pelas Folhas de Carnaúba, Copernicia prunifera (Arecaceae), em Ruminantes, Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA), Rio Grande do Sul, 2008.

CABRAL, G. A. L.; MACIEL, J. R. Levantamento Etnobotânico da Coleção de Plantas Medicinais do Jardim Botânico do Recife, PB, BioFar, Revista de Biologia e Farmácia,  volume 06, número 02, 2011.

CARVALHO, G. D.; ARRUDA, V. M. Principais Plantas Tóxicas Causadoras de Morte em Bovinos, Salinas, Minas Gerais, 2011.

JUNIOR, V. F. V.; PINTO, A. C. Plantas Medicinais: cura segura?, Rio de Janeiro, 2005.

MOTTA, V. T. Bioquímica Básica, Autolab Análises Clínicas, Lipídeos e Membranas, 2013.

RODRIGUES, V. P. Copernicia cerifera Mart.: Aspectos Químicos e Farmacológicos de uma Palmeira Brasileira, Universidade do Rio de Janeiro, 2004.

SALAMONI, A. T. Apostila de Aulas Teóricas de Bioquímica Vegetal, Frederico Westphalen, Rio Grande do Sul, 2010.

VASCONCELOS, J. et al. Plantas Tóxicas: conhecer para Prevenir, Revista Científica da UFPA, volume 7, número 01, 2009.

Para uma definição do terrorismo

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Leonardo Boff

   As manifestações massivas de junho/julho de 2013, em grande parte pacíficas e as outras havidas neste ano de 2014 que mostraram a atuação violenta dos black blocs que, mascarados, quebram agências de bancos, vitrines de lojas e depredam edifícios públicos, atacam violentamente policiais, culminando com a morte do cinegrafista Santiago Andrade, suscitaram o tema do terrorismo.

       É importante que se entenda que o terrorismo não é um fenômeno da guerra, mas da política. O terrorismo irrompe no seio de grupos insatisfeitos com os rumos da política do país ou da economia e que já não acreditam nas instituições, nem no diálogo e muito menos em mudanças sociais significativas. Pode até ocorrer que se opõem de tal maneira ao sistema mundial e nacional vigente, o capitalismo neoliberal, que investem contra seus símbolos, danificando-os. Ilusoriamente pensam que destruindo-os atingem o coração do sistema. Esse não se muda pela violência puntual…

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