Princípios de Plantas Medicinais e Tóxicas

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Desde o seu surgimento na Terra, os vegetais têm desempenhado importante papel na manutenção do equilíbrio entre os diversos ecossistemas do planeta.  Com o surgimento e desenvolvimento da espécie humana, eles passaram a ser usados  para as mais variadas finalidades, inclusive para fins medicinais. A utilização de plantas no tratamento e prevenção de doenças é uma das práticas medicinais mais antigas; e, até a década de 1990, mais de 65% da população dos países em desenvolvimento dependiam  desse tipo de tratamento como forma de cuidado básico da saúde (Junior & Pinto, 2005; Raven, Evert & Eichhorn, 2007; Ricklefs, 2008).

Cabral & Arruda (2011), citando dados da Organização Mundial de Saúde – OMS (2002), esclarecem que as plantas medicinais são: “espécies vegetais que possuem em um de seus órgãos, ou em toda a planta, substâncias que se administradas ao ser humano ou a animais, por qualquer via e sob qualquer forma, exercem algum tipo de ação farmacológica”. Ressalta-se, contudo, que a ação farmacológica nem sempre é algo benéfico; algumas espécies vegetais são potencialmente tóxicas, sendo capazes de causar dano ou morte quando em contato ou ingeridas por animais. A toxidez, entretanto, é um conceito relativo, porque depende da dosagem da substância e também do animal a entrar em contato com ela (Vasconcelos et al., 2009; OMS, 2002, apud Cabral & Maciel, 2011; Carvalho & Arruda, 2011).

Dentre os vários grupos de plantas com propriedades medicinal e tóxica encontram-se as plantas ceríferas; estas são vegetais que possuem como característica células epidérmicas (das folhas, caules e frutos) revestidas por  uma camada de cera. A cera é um lipídeo simples presente na parede celular das ceríferas, combinada a cutina ou suberina; tem como principal função, na planta, evitar a perda excessiva de água; também protege o vegetal contra ataque de fungos. Acredita-se que  a cera seja uma adaptação destes vegetais a regiões áridas (Rodrigues, 2004; Raven, 2007; Salamoni, 2010; Motta, 2013).

Dentre as ceríferas com propriedades medicinais, a Copernicia cerifera Mart. – popularmente conhecida como Carnaúba – (Copernicia prunifera Miller ou, ainda, Coripha cerifera Arruda) é  um bom exemplo. Estudo realizado por Rodrigues (2004) aponta que C. cerifera possui diversas substâncias utilizadas na composição de fármacos para vários tratamentos. Segundo o autor, foram encontradas na planta substâncias como: 1) ácido nonanedióico ou ácido azeláico, substância com efeito antibacteriano, utilizado atualmente na formulação de fármacos para tratamento de acne; 2) extrato etanólico, substância  com propriedades antioxidante, analgésica, antimicrobiana; 3)  extrato hexânico, que também possui efeito antimicrobiano (Rodrigues, 2004).

No entanto, pesquisa realizada por Andrade e colaboradores (2008) evidencia  a toxidez das folhas de C. prunifera, quando administradas como alimento a caprinos e bovinos  por longos períodos (em torno de  56 dias, no estudo em questão); verificou-se que as propriedades tóxicas da planta são capazes de causar intoxicação e morte nestes animais (Andrade et al., 2008).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, G. A. P. et al. Intoxicação Pelas Folhas de Carnaúba, Copernicia prunifera (Arecaceae), em Ruminantes, Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA), Rio Grande do Sul, 2008.

CABRAL, G. A. L.; MACIEL, J. R. Levantamento Etnobotânico da Coleção de Plantas Medicinais do Jardim Botânico do Recife, PB, BioFar, Revista de Biologia e Farmácia,  volume 06, número 02, 2011.

CARVALHO, G. D.; ARRUDA, V. M. Principais Plantas Tóxicas Causadoras de Morte em Bovinos, Salinas, Minas Gerais, 2011.

JUNIOR, V. F. V.; PINTO, A. C. Plantas Medicinais: cura segura?, Rio de Janeiro, 2005.

MOTTA, V. T. Bioquímica Básica, Autolab Análises Clínicas, Lipídeos e Membranas, 2013.

RODRIGUES, V. P. Copernicia cerifera Mart.: Aspectos Químicos e Farmacológicos de uma Palmeira Brasileira, Universidade do Rio de Janeiro, 2004.

SALAMONI, A. T. Apostila de Aulas Teóricas de Bioquímica Vegetal, Frederico Westphalen, Rio Grande do Sul, 2010.

VASCONCELOS, J. et al. Plantas Tóxicas: conhecer para Prevenir, Revista Científica da UFPA, volume 7, número 01, 2009.